A Razão e a Paixão
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Vossa
alma é frequentemente um campo de batalha onde vossa razão e
vosso juízo combatem contra vossa paixão.
Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma
navegante.
Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis ficar
derivando ou permanecer imóveis no meio do mar.
Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão,
deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.
Portanto, que vossa alma eleve vossa razão à altura de vossa
paixão, para que ela possa cantar; e que dirija vossa paixão a
passo com a razão, para que ela possa viver numa ressurreição
cotidiana e, tal a fênix, renascer de suas próprias cinzas.
Entre as colinas, quando vos sentardes à sombra fresca dos álamos
brancos, partilhando da paz e da serenidade dos campos e dos
prados distantes, então que vosso coração diga em silêncio:
"Deus repousa na razão."
E quando bramir a tempestade, e o vento poderoso sacudir a
floresta, e o trovão e o relâmpago proclamarem a majestade do céu,
então que vosso coração diga com temor e respeito: "Deus
age na paixão."
E já que sois um sôpro na esfera de Deus e uma folha na
floresta de Deus, também deveis descansar na razão e agir na
paixão.
(Khalil Gibran)